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Sou doente renal

O meu nome é Fernando, este blog é um pouco da minha experiência pessoal em Dialise Peritoneal e Hemodialise. Facebook Grupo DOENTE RENAL & Paciente Renal. O meu email é Fernandoneto67@sapo.

Sou doente renal

O meu nome é Fernando, este blog é um pouco da minha experiência pessoal em Dialise Peritoneal e Hemodialise. Facebook Grupo DOENTE RENAL & Paciente Renal. O meu email é Fernandoneto67@sapo.

24
Jul10

Comparação de Serviços entre Hospital na Inglaterra e Hospital em Portugal

Fernando Neto

 

O tratamento em Inglaterra, nordeste de Londres, correu bem, fui bem tratado e os enfermeiros foram bastante simpáticos. As várias nacionalidades dos enfermeiros eram desde jamaicanos, filipinos, kénianos e uma portuguesa de nome Maria, que eu não a conheci pois estava de férias e acho que ingleses não sei se existia algum!

 

Ao início foi-me dado dois rolos de adesivo e uma peça (garrote?), para poder apertar o braço e assim as veias dilatarem antes de espetar as agulhas. Estes utensílios ficam comigo e são só para o meu uso.

 

O nível profissional dos enfermeiros na minha opinião era bom, mas fiquei com a sensação que é um pouco inferior aos nossos aqui em Faro, digo isto pois quando era altura de colocar as agulhas para a hemodiálise não me pareciam muito confiantes, e numa ocasião foi preciso 3 enfermeiros e 6 agulhas par poder começar. Quando já íamos na 4 agulha, o enfermeiro traz mais duas e eu disse-lhe que aquelas eram as suas ultimas hipóteses que ele tinha, senão eu ia embora e voltava amanhã, já me doía o braço e estava farto de andarem para ali à procura da veia.

Felizmente o problema foi resolvido com as ultimas duas agulhas!

 

Um pormenor que achei bem diferente, era que a filosofia entre enfermeiros e paciente, é que os pacientes o que poderem fazer por eles, assim o fazem.

Ao entrarmos na sala de diálise nós é que nos pesamos sozinhos, tiramos a tensão arterial e apontamos na nossa ficha, em Faro não, é o enfermeiro que faz.

Eles estavam a pensar em ensinar-me, mas como eu iria estar lá pouco tempo (2 semanas), não o fizeram, mas os outros iam buscar todo o equipamento que as enfermeiras precisavam e preparavam a mesa de trabalho para começar com a diálise.

 

Se a máquina de diálise apitava eu vi alguns pacientes, a lidarem sozinhos com a máquina, mas em algumas situações mais complicadas tinham que chamar o enfermeiro.

 

No fim do tratamento, os enfermeiros tiravam-nos as agulhas, era medida a tensão, sentada e depois de pé, em Faro não vão a esse pormenor, é tirada a ultima tensão sentado e pronto. Depois voltar a pesar e apontar na ficha, retirar os lençóis e fronhas dos travesseiros, colocar tudo na roupa suja e limpar a mesa de serviço. Lavar as mãos e desinfectar e pronto ir para casa.

 

Resumindo a experiência, a ideia de nós sentirmos que estamos a tomar conta da nossa situação é muito boa, sermos e estarmos mais activos e participarmos na nossa doença é algo muito positivo, eu assim acho. O facto de não existir esta estúpida regra que temos em Faro de termos que estar vestidos de pijama mas podermos estar com a nossa roupa normal, torna todo o processo mais leve e um tanto ou pouco “normal” a fugir à sensação de vítima e de doentinho.

 

Depois há pormenores tão simples mas que nos fazem sentir que alguém pensou em nós e no nosso conforto, que é o caso de colocarem um travesseiro por debaixo do braço que tem as agulhas, eu em Faro passo o tempo todo de diálise com metade da mão e dedos dormentes, não vale a pena pedir um travesseiro, pois eles não existem, os que têm estão a ser utilizados.

 

A questão da quantidade de líquidos a tirar por sessão, era um acordo que entre eu e o enfermeiro decidíamos e não as batalhas que eu tenho tido com enfermeiros e médicos par os tirar da fixação que têm com a medida de dois litros de liquido a tirar, para defender esta teoria, uma médica perguntou-me se eu urinava 2 litros e meio de urina por dia, sem comentários!

Eu aposto que em outras clínicas será diferente, mas eu só posso comparar com a minha experiência do hospital de Faro, é o único local em que fiz diálise

 

O outro pormenor é sentirmos que entre enfermeiros e pacientes, estamos ao mesmo nível, os enfermeiros têm os conhecimentos, mas falam contigo como que fazemos todos parte de uma equipa, sem ar de superioridade que é um defeito que eu encontro com alguns dos nossos enfermeiros.

 

Também já falei com enfermeiros que se qualificaram à pouco tempo e dizem-me que no seu curso existia uma componente dedicada ao paciente, e saber lidar com a parte psicológica e mental do paciente. Por outras palavras, respeitar, e aceitar que o paciente é um ser humano com cérebro, capacidade de pensar, raciocinar, com emoções, duvidas, receios e que se encontra numa situação frágil! Eu gostaria de ver certos médicos  e enfermeiros quando eles próprios se tornam pacientes, deverá ser um filme muito engraçado para nós vermos.

01
Abr10

Mini experiência em Hemodiálises (17dias)

Fernando Neto

Já vou no meu quinto tratamento, tem sido uma experiência bem diferente. A primeira vez senti me um pouco melhor após o tratamento, Fiquei 2 kg mais leves em 1 hora, isto deve ser a dieta mais drástica e rápida que eu conheço.

No tratamento anterior fiquei com uma dor de cabeça enorme, mas acho que foi derivado a terem extraído liquido demais no tratamento.

Depois da hemodiálise vem uma enorme vontade de dormir, um sono pesado e fome.  

 

 

Tempo em Hemodiálises

Para começar, o primeiro tratamento durou uma hora e 30 minutos, depois foi aumentando até que a duração seja de 4 horas que em principio é o normal. A não ser que existam outros problemas de saúde.

 

Eu só fiz até agora 3 horas e posso dizer que as primeiras duas horas passam bem, (lógico que isto depende de cada um de nós do estado físico e psicológico ao inicio do tratamento), A ultima hora, para mim já se torna um pouco mais difícil em estar ali sentado sem me poder mexer muito. Eu tenho “bicho-carpinteiro” e torna-se muito difícil em manter-me sossegado por muito tempo.

Se possível, aconselho de que levem um livro para ler, uma revista, jornal, playstation, qualquer coisa para ajudar a passar o tempo, ofereceram me um Nintendo para ajudar a passar o tempo o que tem sido muito útil. Eu tive a sorte de ter algumas vezes o prazer da companhia da minha Carla, os enfermeiros deixaram que ela ficasse ali ao meu lado a conversar e assim o tempo passou bem mais fácil. Para algumas pessoas talvez a ideia de terem a companheira, namorada, esposa ou amigo/a, não seja a melhor solução, mas para quem tem um bom companheiro ao lado é sempre melhor.

 

 (Sala de hemodialise para pacientes com hepatite, a paisagem para contemplar durante as 3 horas de tratamento,três vezes por semana no hospital de Faro, sem ar condicionado, no Algarve de verão, é o máximo, não se pode pedir mais!!!)

 

 

Pontos Positivos – (sobre esta pequena experiencia de hemodiálises)

- O apetite aumentou bastante

- Passo a noite toda a dormir sem interrupções

- Boa energia e disposição

 

Pontos negativos

- Dores de cabeça após o tratamento (mas penso ser derivado a tirarem líquidos demais, aos poucos consegui convencer os enfermeiros e médico que não precisava de tirar tanto liquido porque eu ainda urino)

- Uma grande vontade de dormir após o tratamento.

- Fome, tenho muita fome. O que para mim é o barómetro de saúde, quanto mais fome tenho, é sinal que estou melhor. Isto não é nenhum facto científico, mas é o meu sistema de avaliação!

 

Problemas

Atenção á febre após o cateter ser colocado no pescoço, pode ser o corpo a rejeitar ou alguma infecção, vá ao hospital de Nefro assim que começar a ter febre.

 

   (Penso sobre o cateter no pescoço para poder fazer hemodialise)

 

Mini história sobre este acontecimento

 

Duas semanas se passaram em hemodiálises, terminei na quarta-feira, entretanto todo contente que finalmente me iria ver livre daquele acessório agarrado ao meu pescoço, mas o médico não concordou.

O médico preferiu que eu mantivesse o cateter até segunda, só por precaução, até termos a certeza de que o cateter no abdominal estava a funcionar bem. Até aqui tudo bem, mais nada foi dito!

 

Quinta á noite acordo a meio da noite cheio de frio a começo a ter pequenos tremores, acordo a Carla e a partir  daquele momento começa o pesadelo, o estômago decide limpar tudo o que tinha lá dentro, os intestinos decidiram fazer o mesmo quase simultaneamente, para eu não perder tempo a respirar, agua não era aceite por mais de 10 segundos e pronto o resto da noite em branco, Durante o dia passou por varias ondas, num momento parecia que as coisa estavam a melhorar, depois lá vinha a febre, no máximo chegou a 37 e meio, tremer que nem uma vara verde frio e a temperatura da sala estava em 28º, estamos em Julho no Algarve,

 

Telefono à enfermeira no hospital, mas por azar ela não está de serviço, está em casa, ela sempre esteve disponível para ajudar e deu-me o seu número de telemóvel no caso de precisar de ajuda. Mas eles não são pagos para trabalhar 24 horas por dia e acho que neste dia ela não estava com a cabeça de enfermeira mas sim de quem está de folga e em descanso, Expliquei a minha situação, ela perguntou-me se eu tinha febre e eu como não sabia se tinha febre ou não, a coisa ficou que talvez fosse melhor eu ir ao centro de saúde.

Passou-se sábado, domingo, sempre nestas ondas de frio e tremores, cansado de tanto tremer, pensei que teria apanhado muito sol na quinta e como os sintomas eram parecidos a uma outra experiencia anterior em que apanhei sol a mais e passei mal 5 dias, pensei! Bem 3 dias já passaram e isto agora vai melhorar,

 

Segunda como combinado fui ao hospital para tirar o cateter, decidi ir logo bem cedo, pois queria falar com o médico para ver se podia fazer umas horas de hemodiálises antes de retirar o cateter, pois com tanto tremer, eu devia ter acumulado bastante creatinina e ureia no meu sistema. Ao explicar ao médico os meus últimos dias e sobre a febre ele disse logo que o problema era do cateter no pescoço, o meu corpo não estava contente com aquele acessório extra e talvez alguma infecção. O pior foi que ligaram-me a maquina de hemodiálise e após uma hora começo a ter frio, a febre a subir eu a tremer, a febre vai até aos 39.7 a enfermeira explicou-me que eu tinha chegado ao pico, agora era sempre a descer, eu tremia tanto que já via 5 enfermeiras com a vibração. Foi assustador, porque com tanto tremer por todos os músculos eu estava a ficar cansado e com dificuldade em manter a respiração, a Carla disse-me depois que todos os enfermeiros vieram me ver para experiência de estudo (acho eu!).

Uma boa dose de parecetmol na veia e 5 minutos depois lá se foram os tremores, a febre levou mais tempo mas 3 horas depois também se foi, o estômago é que tem andado sempre a criar gás e meio estranho, aceita comida mas não sabe bem o que fazer com ela.

 

Dois dias depois fui dar uma voltinha de mota, uma voltinha pequena, para tirar as teias da mota. Já estou bem melhor e esta noite quero levar a esposa a jantar fora que a coitada bem tem sofrido nos últimos dias por minha conta, ela bem merece!