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Sou doente renal

O meu nome é Fernando, este blog é um pouco da minha experiência pessoal em Dialise Peritoneal e Hemodialise. Facebook Grupo DOENTE RENAL & Paciente Renal. O meu email é Fernandoneto67@sapo.

Sou doente renal

O meu nome é Fernando, este blog é um pouco da minha experiência pessoal em Dialise Peritoneal e Hemodialise. Facebook Grupo DOENTE RENAL & Paciente Renal. O meu email é Fernandoneto67@sapo.

22
Abr11

Glândulas Paratiróides

Fernando Neto

 

O que são estas glândulas?

São umas pequenas glândulas que controlam o cálcio no sangue. 

As glândulas medem rotineiramente os níveis de cálcio no corpo, 

e quando os níveis de cálcio estão baixos para rectificar isto a

glândula produz uma hormona PHT e esta hormona ajuda a retirar

cálcio dos ossos para entrar no sangue. Quando o nível de cálcio

está alto a glândula deixa de produzir essa hormona.

O cálcio é um elemento muito importante no nosso corpo, que nós usamos para controlar vários sistemas, por isso o cálcio é regulado de forma muito cuidada.

 

Quantas glândulas?

 

Nós temos quatro destas glândulas, que normalmente são do tamanho de um grão de arroz, mas ocasionalmente elas podem chegar a ter um tamanho de uma ervilha e continuarem a serem consideradas normais.

A sua localização é para 85% das pessoas por detrás da tiróide, mas em 15% das pessoas pode estar entre o maxilar e até perto do coração.

As quatro glândulas estão representadas na imagem pela cor amarela, por detrás da glândula a cor-de-rosa que é a glândula tiróide. Nota: o ângulo da imagem é visto por detrás do pescoço para se poder ver as paratireóides. A cor normal destas glândulas é da cor amarelada da mostarda.

No desenho devem ter reparado que três gandulas são pequenas e uma tem um tamanho maior com uma doença, a glândula afectada pode ficar do tamanho de uma azeitona, uva ou até uma noz. As glândulas podem desenvolver-se num tumor e produzir hormona (PHT) em excesso.

Se sofre de paratiróide muito activa, terá que fazer uma operação para remover a paratiróide afectada.

As glândulas paratiróides não estão relacionadas com a tiróide. Estas são vizinhas e com nomes muito semelhantes mas com funções diferentes.

 

 O cálcio tem três funções principais no nosso corpo:

  • É condutor de energia eléctrica no nosso sistema nervoso. O objectivo mais importante do cálcio no nosso corpo é de servir como condutor dos impulsos eléctricos no percurso dos nervos. O nosso sistema nervoso utiliza o cálcio para transportar a electricidade. Por essa razão, alguns problemas mais comuns para quem sofre de partiróide hiperactiva são os níveis de cálcio altos, o que afecta o sistema nervoso (depressão, fraqueza física, cansaço, etc.).

 

  • Fornecer energia eléctrica para o sistema muscular. Tal como os nervos no nosso corpo, nos músculos existe uma troca dos níveis de cálcio ao nível das células para que estão tenham energia e poderem entrar em contracção. Quando os níveis de cálcio não estão correctos as pessoas podem sentir-se fracas e terem cãibras.

 

  • Fornece força, rigidez para o sistema esquelético. Todos sabemos que o cálcio é necessário para que os nossos ossos sejam fortes, mas este pormenor é só metade da história. Os ossos servem como um banco de depósito de cálcio. O corpo sistematicamente deposita e retira em pequenas doses cálcio dos ossos pela simples razão de manter os níveis de cálcio no sangue adequados. A principal função do cálcio é de fornecer uma função adequada do sistema nervoso.

 

Quando os níveis de cálcio não estão em equilíbrio no nosso corpo, os sintomas são:

 

- Perda de energia. Não apetecer fazer muito. Cansaço permanente. Fadiga crónica;

- Não se sentir bem no geral; Não se sentir muito dentro do normal; Difícil de explicar, mas uma sensação de que algo esta mal;

- Sentir-se velho; Perca de interesse por coisas de que antes gostava;

- Não se consegue concentrar, ou manter a concentração como conseguia anteriormente;

- Depressão;

- Osteoporose;

- Dores nos ossos. Estas dores são mais típicas nos braços ou pernas, mas podem se sentir noutros ossos do corpo;

- Não consegue dormir como conseguia previamente; Acorda ao meio da noite;   

- Dificuldade em deixar-se dormir;

- Cansado durante o dia e com vontade de dormir uma soneca;

- Companheiro(a) reclama de que está mais irritante e mais difícil de viver (chato e birrento).

 

Existe muito mais informação que se pode obter sobre estas glândulas. Um dos pontos que este site refere é a importância da experiência que deve ter o cirurgião que irá fazer a operação, pois esta operação não é feita com muita frequência.

 

Esta informação é do site http://www.parathyroid.com/, onde poderão obter mais informações.

05
Fev11

Internado, Paratireóides hyperactivas

Fernando Neto

Mais um ano que passou, mais uma fase na vida cheia de experiências, umas boas outras para arquivar.

Para mim este ano que passou é em parte para esquecer! Não foi tudo mau, mas houve muita chatice pelo caminho, preocupação, medo, lágrimas e cirurgias. Para quem nunca tinha sido operado ou tinha estado internado no hospital, considero que este ano foi uma boa “workshop”.

 

- Reposição de cateter – Lisboa

- Reposição de cateter – (2ª vez) Lisboa

- Reposição de cateter – (3ª vez) Faro (Cirurgia Guiada)

- Remoção do cateter

- Colocação do cateter no pescoço

- Novo cateter no abdómen

- Remoção do cateter (fim da diálise peritoneal)

- Cirurgia para remover fio que atava o cateter esquecido no abdómen e agora com bola de fibra a cobrir fio.

- 1ª Tentativa de fistula junto ao pulso, braço esquerdo

- 2º Tentativa com sucesso de fistula entre braço e antebraço

- 3 Endoscopias (duas altas uma baixa)

- Queda da mota 2 vezes no mesmo braço – tendinite no braço esquerdo

- Cirurgia às paratireóides

 

 

Cirurgia às paratireóides

 

Passei o mês de Dezembro no hospital de Faro após uma cirurgia para remover as glândulas paratireóides. A operação durou perto de duas horas e correu sem complicações de maior.

No dia da operação, enquanto estava a fazer hemodiálise e meio a dormir, vejo o cirurgião à minha frente e pergunta-me porque é que eu ainda estava ligado à máquina, já que a equipa de cirurgia estava à minha espera, com facas e serras bem afiadas.

Bem me tinham avisado de que a cirurgia era de manhã, mas ninguém mencionou a que hora se realizava. A partir daqui foi desligar a máquina de hemodiálise, despir pijama e vestir aquela bata verde transparente. Deitado numa maca turbo, fui para a cirurgia. Quando acordei já estava de volta à Nefrologia e senti-me um pouco assustado.

A sala onde fiquei era a sala das emergências que tinha uma máquina a monitorizar o coração o que me deixou um pouco preocupado. Mais tarde vim a saber que eu estava na sala para pós-cirurgias e estavam a ver como eu reagia à operação.

A operação foi de manhã e à noite por volta da meia-noite, apareceu-me uma fome imensa.

Apesar de duas bolinhas que eu tinha penduradas ao pescoço, para extrair algum excesso de liquido ou sangue da cicatriz, da constante sensação de que tinha um arame a apertar-me o pescoço derivado aos agrafos e pontos, mais a irritação na pele e comichão que os adesivos do penso estavam a fazer, sentia-me bem!

À tarde é que começou a festa! Apareceu um formigueiro nos pés que aos poucos foi subindo para as pernas, braços, mãos, cara e … pânico!! Somente tive tempo de chamar o enfermeiro e ali fiquei sem me poder mexer e sem saber o que se passava. Disseram-me que era os níveis de cálcio que estava muito baixos. Vinte minutos mais tarde, após me terem dado uma injecção de cálcio na veia comecei a sentir-me melhor, o susto passou!

 

Comentário: Não consigo compreender e isto continua sempre a acontecer. A falta de informação que nos é dada. Será que os médicos têm receio que nós não consigamos perceber o que nos dizem!? Ou que não tenhamos capacidade mental e emocional para perceber? Será que o facto de estarmos um pouco mais informados do se vai passar e de como as coisas “ em princípio” irão decorrer, não nos deixaria um pouco mais tranquilos!?

Não!! A opção é de não se dizer nada, deixa-se o paciente a imaginar o pior, ficar nervoso, preocupado tenso, com o sistema todo acelerado e hipersensível.

Já estive numa situação de reposição do cateter que é feita na sala de cirurgia e a enfermeira quando estava a preparar-me com a máquina de barbear perguntou-me se as cuecas eram de algodão, pois se fossem de fibra poderia ser um problema quando ao utilizar o bisturi (ou algo eléctrico), imaginem o que me passou pela cabeça!! Bisturi?? Corte?? Faca?? Pontos’? Agrafos? Isto vai ser mesmo bom!!!

Afinal não houve corte nenhum, nem pontos, nem agrafos!

O ideal seria (aparentemente isto acontece em alguns hospitais), que algum dos profissionais nos explicasse como o procedimento vai ser feito, quanto tempo irá levar, algumas hipóteses de sintomas após cirurgia, o que fazer, o que não fazer e para não ficar preocupado que “em principio” ira tudo correr bem!

 

Se perguntar ao médico o porquê de não me ter sido explicado nada acerca da cirurgia, uma das respostas talvez seja de que não fiz perguntas e por isso assumiram que eu ou já sabia ou não queria saber.

 

Pronto já desabafei!!

 

Voltando ao formigueiro!

Nestas situações em que não nos estamos a sentir nada bem e começamos a ver os enfermeiros a mudarem de ritmo, com cara de preocupados, é sinal que a coisa não está muito boa!

Depois ficamos preocupados com o facto do nosso companheiro (esposa, amigo, familiar) estar a ver-nos naquele estado!

 

Este mês internado no hospital foi uma montanha russa de emoções. A parte mais chata é conseguir que o nível de cálcio fique estável. O meu cálcio ora subia ora descia, o que levou a que ficasse mais tempo no hospital. Por média, os médicos diziam que é necessário um mês para que o cálcio estabilize. Algumas pessoas conseguem estabelecer os níveis de cálcio no organismo mais rapidamente outras precisam de mais tempo.

Nos dias que se seguem após a operação temos que estar preparados para muitos comprimidos e muitas picadelas de agulhas. O cálcio é administrado directamente na veia, através de uma “torneira”. No meu caso e infelizmente a veia só aguentou três tratamentos, depois tinha que se encontrar outra veia para colocar uma nova torneira.

 Foram feitas análises ao sangue nos primeiros dias, de quatro em quatro horas, para ver qual o nível de cálcio.

Ao fim deste longo mês contei 26 torneiras, fora as tentativas, e com mais ou menos 63 picadas para tirar o sangue. Aparentemente eu tenho boas veias, para quem não as tem isto é um autêntico pesadelo, e eu já estava muito saturado.

Total de picadas com sucesso 89 e um braço direito muito inchado, sem falar nas 24 picadas para a hemodiálise.

O tratamento da administração de cálcio começou por ser de quatro em quatro horas, depois à medida em ia subindo foi mudando, depois de seis em seis, oito a oito, de doze em doze e finalmente uma vez por dia. O final do tratamento é apenas com comprimidos. Sempre que o nível de cálcio descia eu recuava no tratamento.

 

Esta operação foi necessário derivado às minhas glândulas paratireóides estarem hiperactivas, os meus níveis de fósforo estarem muito altos e não se conseguir controlar com a medicação. Após a operação os níveis de fósforo ainda estão um pouco altos e também a hormona da glândula.

Resumindo, após mais alguns exames parece que vou ter uma segunda parte deste problema. Já ouve alguém que andou a pesquisar na net e me disse que uma grande maioria de pessoas não conseguem resolver este problema com uma única operação.

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