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Sou doente renal

O meu nome é Fernando, este blog é um pouco da minha experiência pessoal em Dialise Peritoneal e Hemodialise. Facebook Grupo DOENTE RENAL & Paciente Renal. O meu email é Fernandoneto67@sapo.

Sou doente renal

O meu nome é Fernando, este blog é um pouco da minha experiência pessoal em Dialise Peritoneal e Hemodialise. Facebook Grupo DOENTE RENAL & Paciente Renal. O meu email é Fernandoneto67@sapo.

05
Fev11

Internado, Paratireóides hyperactivas

Fernando Neto

Mais um ano que passou, mais uma fase na vida cheia de experiências, umas boas outras para arquivar.

Para mim este ano que passou é em parte para esquecer! Não foi tudo mau, mas houve muita chatice pelo caminho, preocupação, medo, lágrimas e cirurgias. Para quem nunca tinha sido operado ou tinha estado internado no hospital, considero que este ano foi uma boa “workshop”.

 

- Reposição de cateter – Lisboa

- Reposição de cateter – (2ª vez) Lisboa

- Reposição de cateter – (3ª vez) Faro (Cirurgia Guiada)

- Remoção do cateter

- Colocação do cateter no pescoço

- Novo cateter no abdómen

- Remoção do cateter (fim da diálise peritoneal)

- Cirurgia para remover fio que atava o cateter esquecido no abdómen e agora com bola de fibra a cobrir fio.

- 1ª Tentativa de fistula junto ao pulso, braço esquerdo

- 2º Tentativa com sucesso de fistula entre braço e antebraço

- 3 Endoscopias (duas altas uma baixa)

- Queda da mota 2 vezes no mesmo braço – tendinite no braço esquerdo

- Cirurgia às paratireóides

 

 

Cirurgia às paratireóides

 

Passei o mês de Dezembro no hospital de Faro após uma cirurgia para remover as glândulas paratireóides. A operação durou perto de duas horas e correu sem complicações de maior.

No dia da operação, enquanto estava a fazer hemodiálise e meio a dormir, vejo o cirurgião à minha frente e pergunta-me porque é que eu ainda estava ligado à máquina, já que a equipa de cirurgia estava à minha espera, com facas e serras bem afiadas.

Bem me tinham avisado de que a cirurgia era de manhã, mas ninguém mencionou a que hora se realizava. A partir daqui foi desligar a máquina de hemodiálise, despir pijama e vestir aquela bata verde transparente. Deitado numa maca turbo, fui para a cirurgia. Quando acordei já estava de volta à Nefrologia e senti-me um pouco assustado.

A sala onde fiquei era a sala das emergências que tinha uma máquina a monitorizar o coração o que me deixou um pouco preocupado. Mais tarde vim a saber que eu estava na sala para pós-cirurgias e estavam a ver como eu reagia à operação.

A operação foi de manhã e à noite por volta da meia-noite, apareceu-me uma fome imensa.

Apesar de duas bolinhas que eu tinha penduradas ao pescoço, para extrair algum excesso de liquido ou sangue da cicatriz, da constante sensação de que tinha um arame a apertar-me o pescoço derivado aos agrafos e pontos, mais a irritação na pele e comichão que os adesivos do penso estavam a fazer, sentia-me bem!

À tarde é que começou a festa! Apareceu um formigueiro nos pés que aos poucos foi subindo para as pernas, braços, mãos, cara e … pânico!! Somente tive tempo de chamar o enfermeiro e ali fiquei sem me poder mexer e sem saber o que se passava. Disseram-me que era os níveis de cálcio que estava muito baixos. Vinte minutos mais tarde, após me terem dado uma injecção de cálcio na veia comecei a sentir-me melhor, o susto passou!

 

Comentário: Não consigo compreender e isto continua sempre a acontecer. A falta de informação que nos é dada. Será que os médicos têm receio que nós não consigamos perceber o que nos dizem!? Ou que não tenhamos capacidade mental e emocional para perceber? Será que o facto de estarmos um pouco mais informados do se vai passar e de como as coisas “ em princípio” irão decorrer, não nos deixaria um pouco mais tranquilos!?

Não!! A opção é de não se dizer nada, deixa-se o paciente a imaginar o pior, ficar nervoso, preocupado tenso, com o sistema todo acelerado e hipersensível.

Já estive numa situação de reposição do cateter que é feita na sala de cirurgia e a enfermeira quando estava a preparar-me com a máquina de barbear perguntou-me se as cuecas eram de algodão, pois se fossem de fibra poderia ser um problema quando ao utilizar o bisturi (ou algo eléctrico), imaginem o que me passou pela cabeça!! Bisturi?? Corte?? Faca?? Pontos’? Agrafos? Isto vai ser mesmo bom!!!

Afinal não houve corte nenhum, nem pontos, nem agrafos!

O ideal seria (aparentemente isto acontece em alguns hospitais), que algum dos profissionais nos explicasse como o procedimento vai ser feito, quanto tempo irá levar, algumas hipóteses de sintomas após cirurgia, o que fazer, o que não fazer e para não ficar preocupado que “em principio” ira tudo correr bem!

 

Se perguntar ao médico o porquê de não me ter sido explicado nada acerca da cirurgia, uma das respostas talvez seja de que não fiz perguntas e por isso assumiram que eu ou já sabia ou não queria saber.

 

Pronto já desabafei!!

 

Voltando ao formigueiro!

Nestas situações em que não nos estamos a sentir nada bem e começamos a ver os enfermeiros a mudarem de ritmo, com cara de preocupados, é sinal que a coisa não está muito boa!

Depois ficamos preocupados com o facto do nosso companheiro (esposa, amigo, familiar) estar a ver-nos naquele estado!

 

Este mês internado no hospital foi uma montanha russa de emoções. A parte mais chata é conseguir que o nível de cálcio fique estável. O meu cálcio ora subia ora descia, o que levou a que ficasse mais tempo no hospital. Por média, os médicos diziam que é necessário um mês para que o cálcio estabilize. Algumas pessoas conseguem estabelecer os níveis de cálcio no organismo mais rapidamente outras precisam de mais tempo.

Nos dias que se seguem após a operação temos que estar preparados para muitos comprimidos e muitas picadelas de agulhas. O cálcio é administrado directamente na veia, através de uma “torneira”. No meu caso e infelizmente a veia só aguentou três tratamentos, depois tinha que se encontrar outra veia para colocar uma nova torneira.

 Foram feitas análises ao sangue nos primeiros dias, de quatro em quatro horas, para ver qual o nível de cálcio.

Ao fim deste longo mês contei 26 torneiras, fora as tentativas, e com mais ou menos 63 picadas para tirar o sangue. Aparentemente eu tenho boas veias, para quem não as tem isto é um autêntico pesadelo, e eu já estava muito saturado.

Total de picadas com sucesso 89 e um braço direito muito inchado, sem falar nas 24 picadas para a hemodiálise.

O tratamento da administração de cálcio começou por ser de quatro em quatro horas, depois à medida em ia subindo foi mudando, depois de seis em seis, oito a oito, de doze em doze e finalmente uma vez por dia. O final do tratamento é apenas com comprimidos. Sempre que o nível de cálcio descia eu recuava no tratamento.

 

Esta operação foi necessário derivado às minhas glândulas paratireóides estarem hiperactivas, os meus níveis de fósforo estarem muito altos e não se conseguir controlar com a medicação. Após a operação os níveis de fósforo ainda estão um pouco altos e também a hormona da glândula.

Resumindo, após mais alguns exames parece que vou ter uma segunda parte deste problema. Já ouve alguém que andou a pesquisar na net e me disse que uma grande maioria de pessoas não conseguem resolver este problema com uma única operação.

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